Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

5 de jan. de 2023

Uma outra proposta Cota

Um sem fim de vezes que te tento em mim. Te acomodo, encaixo e desencaixo. Tem jeito que fica bom, mas dura pouco; tem jeito que dói, machuca, esse as vezes dura até muito.
Consumi bem umas 40 folhas de sulfite. Nada materializava.
Senti agonia de mim, pois nada mais me distraía. Convivi comigo, na beleza e na desarmonia.
Há ela, e sem ela pergunto o que seria. Quando fico muito insensato, ela mia. Arranha minha preguiça, destroça minha anestesia.
Senti falta das paredes, 23 faces. Se contar como eu, chegará nesse número, tente. Fiz assim:
Lembrei-me da porta azul, da prateleira de ervas e medicinas, da bandeira da luta pela terra. Abri de novo a geladeira, e bebi água enquanto regava a samambaia. Olhei rapidamente pra janela, vi a copa das árvores lá na avenida. Fizemos tantos armários, de troços e paninhos.
Sentei-me no sofá-pallet, degustei com os dedos o couro do atabaque. Girei no centro do seu quarto. Imaginei-te um mundo. No banheiro, revistei a transa, sob a luz, sob o chuveiro, sob teu domínio.
Um quarto esquecido, ao fundo do AP, entregou-me seus diferentes momentos. Minha chegada assustada, a ausência vazia, teu corpo infinito, noites de poesia, teu abraço e um pano por cima. O sufoco de duas grandes vidas, resumidas nesse canto, assombrando as vizinhas.
Lancei-me no fundo do banheiro, claro e esverdeado, que nasceu entupido.
Sob a luz negra da sala, te escrevo agora na mesma madrugada, em que entrei em casa e desabei em alívio e aconchego, enquanto você dormia.

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