Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

15 de jul de 2017

Nomeie

Vou te rasgar cabra
Vou botar teu dentro pra fora
Na marra
Romper tuas amarras
Romper com o mundo
Vou eviscerar a sociedade
Vou desconstruir tua desconstrução
Vou te mostrar que há mais de um tipo de revolução
Romper com tua genética
Vou lamber o teu focinho e coçar o meu saco com a tua pata
Maldito
Maldita
Vou comer no chão, sem garfo e com a mão
Que eu já sei onde isso é aceito
Não tenho receio
De tirar o teu sorriso
De estragar o teu recreio
Se tu é tanto, porque tem medo?
Se quer, se me quer, na sua autonomia
Porque não dá um passo sem questionar
A eles, ao universo, a Deus, a mim!?
Agora se vira, e se vira
Pega teu cobertor que tem alquimista chegando
Separei minha tralha
Que teu jeito era só gralha
E Poe já me deu seu corvo
Au revoir

Ninguém

Sem

A gente se mata
Corre
Corrói
A gente se dilacera
Acreditando todo tempo
Que o tempo todo
Vale esse momento
Vale o argumento
Vale o beijo
A gente se joga
Joga
A gente se perde
Perde
Pra sozinho no escuro
Refletir e sofrer
Pelo que não consegue entender
Pelo que o passado constrói,
O presente corrói,
O futuro não destrói
Eu sinto
Choro e remexo
É remédio, é recomeço
Não me reconheço, não te conheço
Dois, ou mais
Cada um feito de tantas coisas que não são mais casas
Nem mundos
São constelações a brilhar
Perdidas no escuro que as rodeia
E cegas pelo próprio brilho
Que ofusca
A busca



Eduardo Bueno

9 de jul de 2017

Escuro

Ce não faz ideia
De como correr de bala
De como respirar no gás
De como o choro escorre sem tu saber porque
CE não faz ideia
Dá dor que é ver hematoma no teu irmão
De ouvir sermão na casa dá família
De lutar e apanhar na cara
Ce não faz ideia
Do que é gritar até perder a voz e ninguém te ouvir
Do que é carregar a bandeira dá tua causa
Pesada
Correndo do que te limita
Do que te repreende
Do que te põe na linha que te obrigam
Correndo do que vem de uniforme e mais organizado que você
Mas que é igualzinho a ti
Só se diferencia pelo ideal
Quer salvar os filhos
Você é o filho
Tu não tem ideia parça
Porque teu bolso tá cheio
Do que enche o teu vazio
Enquanto minha cabeça tá cheia
Do que a tua ainda não alcança
Tu não tem ideia nego
Porque tua bolha é igual você
Porque tua preocupação é com o fds
Teu trampo te paga certinho
E teu vizinho te respeita
Porque tu anda de chinelo só pra pagar de bacana
E eu, porque o mundo é sacana
Sai do sofá
Abre o vidro do teu astra
Olha pra trás e vê a merda que tu arrasta
Se tu não tem ideia parça
Abaixa a cabeça
Disfarça
Ou se esforça

Eduardo Bueno

7 de jul de 2017

Ta tarde

Ouvi dizer, que não seria assim
Traduzi o mundo pra dentro de mim
Escorei o que desbarrancava com vários 'tentares'
Troquei meu sol pelos luares
E mesmo assim me vi ainda parado
Logo quando anseio por tantos lugares
Tudo que há no mundo me custa
E essa corrida as vezes nem mais parece justa
Peguei em placas contra projéteis
Contra desinformação usei projetores
E pra curar a mim próprio
Vivi no barro
Vivi na mata
Me assentei
Me pintei
Fui índio dentro de lagoa
Fui suco numa selva cheia de concreto e saudade
Corri
Com medo das gaiolas
Pra me engaiolar
Nem cabe mais o "faz de mim"
Tudo já se tornou "faço eu"
E fazendo me desfaço
As vezes sou tanto, que de tanto me espalhar não me acho
Não me toco
Não me vejo
As vezes nem sou, e não sendo não me vejo
Não me toco
Não me acho
Corro agalopado
À construir o que não me vale
Quando o que me vale não se constrói
E segue galo campeiro
Cavalo tropeiro
Boiadeiro cansado
Com saudade do mato, do grosso, do sul
Fechando os olhos pra respirar o trote do gado
Afinando os ouvidos pra sentir o gosto da terra vermelha que descola do mourão
Queremos pra nós ?
Queremos pelos outros?
Queremos outros que nos motivem?
Já me-fiz-me-feito
Bruto e rude
Lamentável
Sensível e pra sempre
Admirável


Eduardo Bueno

3 de jul de 2017

Ausência de mar

Rascunhei meus tons
No alaranjado do teu papel
Me confidenciei os planos mais secretos
Que quis concretos
.."e eu vou dizer
Dessa vez não vai dar"..
Acontece que sou também
Pássaro arisco
E logo me risco
O vento bate forte
Traz cheiros e há de sustentar os voos
E esse galho fino, com vontade de engrossar
Não faz a certeza de sustentar
Qualquer construção
Desse insensato coração
Que nos faz, presentes..
Mero acaso, não vem ao caso
Se houve querer profundo ou raso
.."você matou a ilusão
Libertou meu coração"..

Eduardo Bueno

23 de jun de 2017

Assento de metal

Quis te dizer dos vários mundos que pisei
Dividir contigo as rugas do que já foi
E que agora amadurece
Quis trazer pra ti o montante de coisas
Que se fazem o epílogo do amanhã
Quis te ser eu
E sempre quero
Pois tu é feito cone de waffle
Que se enche do gelado mas aceita calda quente
E querendo me ser você
Sou tantas vezes um só pelos dois
Anulando seus egos contrapostos
Duvidando dos seus gostos..
Se duvido , e duvido, é pra que duvides comigo
A vida não se faz certeza
A luz da escuridão
É nossa própria clareza
Seja ser que poliniza
Carregue contigo um tanto de tudo que toca
E espalhe por tudo que tocar depois
Assim verá que tua corda vibra, afinada em teu tom
E tua beleza é o ritmo
Contraposto e soberbo
A vez na vida, o dia inteiro.

Eduardo Bueno

15 de jun de 2017

Labirintos

Era só um azul
Único em tom e sentido
Eram sentidos
Variáveis e variantes, zonzeantes
Era a agonia dá grade sobre o azul
Era o degradê, do centro até as bordas dá vista
Culminando num processo de formigamento estelar
E quando o corpo estaca
A mente fomenta
Tem fome dá tormenta do mundo
Tem fome das cores saltitantes atrás das latas de sardinha
Tem sede do choro solitário e dá preocupação passageira
É um retângulo o agora
Horizontal e vertical
Quase uma odisseia
E as feras abrem suas portas como fossem gargantas
E os sons agridem como punhais
E torna se denovo refém de sua própria coerência
Dá contra reforma dentro de si
Vívida e insistente, manifestante
E então
Era só aquietação


Eduardo Bueno