Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

2 de set de 2017

Solo

Nem sei se faz sentido
Um chão tão repartido
Um zói d'água seco de tanto chorar
Um coração agoniado de tanto esperar

Nem sei do trivial
Que brota no fundo do quintal

Só que isolado me faço ilha
Inseguro e indefeso
Preciso só do seu peso
Noutra mãe, noutra filha

E de viola em riste
Sou caçador, daqueles que nunca te acha
Nem sei onde te caçar
Sou violeiro de carcaça triste

Nonde foi o pungente do chocolate
Escafedeu-se, virou arte
Nonde foram teus alentos
Embrenhados por outras partes

Saga de Severinim
Cultivar terra macia
Grileiro leva embora
Sobra a dor na bacia


Eduardo Bueno

14 de ago de 2017

Acalma,please

Abre a alma
Olha pro lado rapaz
Enxerga essa moça
Vê o bem que ela traz

Mergulha nesse litoral
Que mora nas curvas do peitoral
Sente a brisa fresca dá floresta de árvores rasteiras
Que ela traz na cabeça, nas feições faceiras

Acalma rapaz
Que o amor o tempo traz

Solta, que ela é dona de si
Bem desde antes de ti
E aceita, que agora ela quer ser
Sua, enquanto os dois puderem crescer

Teus medos, singelos segredos
Deixe que passem menino
Deixe que sobre espaço pra leveza
Dos carinhos que ela traz nos dedos

E na soma, no conluio,
Deixa fluir, como fluiu
Sem apertar, sem forçar
A passagem já é dos dois
Aproveita agora esse viajar

Eduardo Bueno

29 de jul de 2017

Leito

E eu
Que me assisti sendo denovo
Sentei sobre meu peito
E sentado não me deixei respirar com meu próprio peso
Usei meus pés como escada
Estanquei a caminhada
Ceguei piamente
Como bobo contente
Me fiz satisfeito
Rasguei meu próprio peito
Como quem abre uma porta
Ouvi minha gargalhada, e ela saiu torta
Lancei mão novamente
Das injúrias lancinantes e criativas
Invejei as criaturas vivas
E tornei-me objeto do eu
Me fiz foco
Reto
Simples
Me fiz comum
Crente
Feliz
Me fiz engano
Dentro
Fora




Eduardo Bueno

28 de jul de 2017

Porta afora

A gente assusta
Quando não tem fé
Quando vê que tem fé demais
Se assusta com o próprio susto
Que assiste assustado
A vida ser
A vida passar
Assusta
Quando vê ser enjoado
Quando se faz de enjôo
E assusta mesmo quando assustado
Acha que todo o susto é assistido
Assusta quando falta voz
E quando falta ouvido
Quando falta diálogo
A gente assusta quando se repete
Quando se torna repetitivo
E do que se gosta
Se quer repetir
Assusta também quando se permite
E ainda só, se transmite
E assusta ainda, quando quer não ter mais susto
E vê que sem assustar-se
Sobra sustância pra novos sustos

Eduardo Bueno

15 de jul de 2017

Nomeie

Vou te rasgar cabra
Vou botar teu dentro pra fora
Na marra
Romper tuas amarras
Romper com o mundo
Vou eviscerar a sociedade
Vou desconstruir tua desconstrução
Vou te mostrar que há mais de um tipo de revolução
Romper com tua genética
Vou lamber o teu focinho e coçar o meu saco com a tua pata
Maldito
Maldita
Vou comer no chão, sem garfo e com a mão
Que eu já sei onde isso é aceito
Não tenho receio
De tirar o teu sorriso
De estragar o teu recreio
Se tu é tanto, porque tem medo?
Se quer, se me quer, na sua autonomia
Porque não dá um passo sem questionar
A eles, ao universo, a Deus, a mim!?
Agora se vira, e se vira
Pega teu cobertor que tem alquimista chegando
Separei minha tralha
Que teu jeito era só gralha
E Poe já me deu seu corvo
Au revoir

Ninguém

Sem

A gente se mata
Corre
Corrói
A gente se dilacera
Acreditando todo tempo
Que o tempo todo
Vale esse momento
Vale o argumento
Vale o beijo
A gente se joga
Joga
A gente se perde
Perde
Pra sozinho no escuro
Refletir e sofrer
Pelo que não consegue entender
Pelo que o passado constrói,
O presente corrói,
O futuro não destrói
Eu sinto
Choro e remexo
É remédio, é recomeço
Não me reconheço, não te conheço
Dois, ou mais
Cada um feito de tantas coisas que não são mais casas
Nem mundos
São constelações a brilhar
Perdidas no escuro que as rodeia
E cegas pelo próprio brilho
Que ofusca
A busca



Eduardo Bueno

9 de jul de 2017

Escuro

Ce não faz ideia
De como correr de bala
De como respirar no gás
De como o choro escorre sem tu saber porque
CE não faz ideia
Dá dor que é ver hematoma no teu irmão
De ouvir sermão na casa dá família
De lutar e apanhar na cara
Ce não faz ideia
Do que é gritar até perder a voz e ninguém te ouvir
Do que é carregar a bandeira dá tua causa
Pesada
Correndo do que te limita
Do que te repreende
Do que te põe na linha que te obrigam
Correndo do que vem de uniforme e mais organizado que você
Mas que é igualzinho a ti
Só se diferencia pelo ideal
Quer salvar os filhos
Você é o filho
Tu não tem ideia parça
Porque teu bolso tá cheio
Do que enche o teu vazio
Enquanto minha cabeça tá cheia
Do que a tua ainda não alcança
Tu não tem ideia nego
Porque tua bolha é igual você
Porque tua preocupação é com o fds
Teu trampo te paga certinho
E teu vizinho te respeita
Porque tu anda de chinelo só pra pagar de bacana
E eu, porque o mundo é sacana
Sai do sofá
Abre o vidro do teu astra
Olha pra trás e vê a merda que tu arrasta
Se tu não tem ideia parça
Abaixa a cabeça
Disfarça
Ou se esforça

Eduardo Bueno