Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

18 de mai de 2018

Vem do leite

..ce trouxe, eu vi
A força de mil ou mais passos
Na leveza dos pássaros
Cantou no justo tom
O contrassenso que nos move
Comove
O povo
E meu ser
No presente de te conhecer
Sinto muito ser só menino
Sem altura nem poder
E de cá admiro
A soberania popular que você lutou pra ser

Eduardo Bueno

12 de mai de 2018

Postergar

Na vida tantos passos
Entrelaços
Meus pés, caminham descalços
Vejo horizontes intermináveis em cores
Sabores consonantes e distoantes
Composições do Universal que é tão meu
Quanto nosso
Mas que aqui
É só aqui
E único
Com a cor dos meus olhos, toque dos meu lábios, cheiro dos meus dedos, gosto dos meus gestos
Ainda assim
Sou só restos
De outros cantos
De outras prosas
Não mais inteiro
Cacos de cada caso
Fragmentos de cada flagra
Não mais um conto
Sou poesia feita em versos desritmados
Compactados nas curvas imperfeitas das palavras
Destinados a viver sem a captura exata da alma
Destinado a evitar destinos
Desatino
Na pia, no copo ou na latrina
Num corpo sujo, de pele salgada e sexo úmido
Numa curva fechada, no limite da sanidade

Eduardo Bueno

5 de mai de 2018

Dessa vez

Raras vezes
Onde o plano muda
O meu e o nosso
O plano do conviva
Do bom dia e boa noite
O plano da criação
Dá existência tridimensional
Raras vezes essas
Onde nada significa aquilo que se atribui
Onde o existir é pleno
Por ser vazio
Por ser nada, enquanto esperança
Onde se aproxima do que não se conhece
De forma bruta
Inocente
Buscando nada
Sendo o existir enquanto pleno e universo
Pois permeio tudo
Sou todos

Eduardo Bueno

27 de abr de 2018

Já deu

Acho até que já cansei
Dos dias arrastados que gradeam meus sonhos
Das cascas ocas batizadas com nomes e sobrenomes
Sempre com fome de querer ser
Muito mais do que constroem
Até acho que cansei já
Dos olhares enviesados, enmesmados e encucados
cuidando dos meus pêlos, dos meus passos
Vigiando meus traços
Já acho até que cansei
De esconder o tesão
De desejar secreto
O cheiro do sexo
O sabor das coxas
O macio do peito
De gozar e pedir perdão
Até já acho que cansei
De buscar ser certo num mundo atravessado
De forçar bom dia e um abraço mal pago
De disfarçar minha vontade de rasgar a roupa
Minha e delas
Cansei que já, acho
De esconder o beck
Afogar a brisa
Interromper a paixão num trago e num copo de milho
De sonhar em não sofrer
Quero não mais correr
Me afaga pelo amor do seu Deus
Que até cansei já, acho
De levantar meu mundo inteiro com as coxas
De repetir os caminhos, de ser sozinho
De masturbar miudinho
Querendo gemer num ouvido
De querer
Sufocar o mundo
Num caminho absurdo que nunca vou trilhar
Até que acho, já cansei



Eduardo Bueno

26 de abr de 2018

Barreiras

Olha a caixa
Já tampou
Tua mão caiu
Nem viu
Sobrou
E o riso corre solto
Samambaia escorre
Livre pelas costas da casa
E o espaço se faz um
Num pedaço de céu
Com prosa e café
Como é que é?
Um mar de água
Poço cheio
De silêncio e escuridão
A corda ? O que salva é um refrão
Do pessoal do Ceará
E a vida faz cada vez menos sentido do lado de cá..

Eduardo Bueno

Cubo

Fui coagido
Foi a força do seu tom que nunca me chegou
Foi a lembrança
Fui impelido
A borrar os contornos, comprovantes e comprovações
Foram histórias
Traduzidas em palavras curtas
Rimadas
Fui desgraça
Caótica demais pro bolo
Argamassa solta
Parede fria feito coração
Sou decoração nesse pastel
De coração sou papel
Que tua tinta nunca toca

Eduardo Bueno

25 de abr de 2018

Geomorfologia

Amanhece noite e sou só luz. Ponto vago. Ponto cego.
Solidão faz caminho, vira pombo, vira avesso, sai inverso
Desassossega meu verso
Derruba o peito
Desfaz o universo
Travessia
Transversal
Atravessa do pé aos olhos
Anoitece manhã
Com promessa de outra vida
Na promissória tudo pode, tudo deve. Passa breve. Passa leve.
Na roda dos pés trançados
Me vi bexiga, com as massas e levezas
Que povoam, que amam
Tudo é só linha. Muitas. Tantas
Quanta quina
Tudo dura

Eduardo Bueno