Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

11 de nov de 2017

Re-Ser

Faz do que te conecta
A conexão consigo
E não o desconectar do outro
Enxerga teu caminho
Abstrai o descaminhar do outro
Tua busca é sua
Ainda que brevemente dividida
E toda dor que sentes
Foi alegria bem vivida
Cada qual é importante
Em dada hora e lugar
Faz teu o seu amor
Acorda no seu despertar
Que mesmo eu
Em mim já me vou
Não adianta me esperar

Eduardo Bueno

10 de nov de 2017

Saudade

Tu tem jeito de calma
Cheiro de sossego
Tu tem riso de rede
E beijo de brisa
Tu tem cabelo de mato
E pele de terra
Gesto de viola
Toque de violão
Tu tem gosto de sombra
E anda na velocidade do tempo
Que para
Que passa
Te saboreio
Feito tarde no Villa lobos
Feito chuva mansa no Ibirapuera
Te percorro feito paulista
E me socorro na Consolação
Tu me dá saudade de filme
Choro a alegria melancólica do filme argentino
E viro parlhapatao feito filme francês
Sou previsível feito Hollywood
E colorido como Bollywood
Tu é festa
É congresso
Tu é sesta
Beijo na testa
Tu é caminho e desvairio
Tu é agitada feito noite atrás do volante
E triste nesse calor angustiante
Tu é
Tu
Saudade

Eduardo Bueno

23 de out de 2017

1° ilha

Combatente
Herói sem sonho
Rei sem legado
Autômato
Que descaminho é esse que tu sobra e falta?
Harmonia
Vento
Sopro de flauta
Que é o incerto, que bloqueia, que desmancha
Que é a honra, o orgulho, a coisa torta
Que é a preocupação
O fumo
O abrir dá porta.. ?
Explica tua chuva mansa
E o desalento dá sua tempestade
Explica tua vontade que explode
E teu desejo que passa
Nos vimos de relance como aura
Brilho, leveza, transcendente
Nos vimos tempo demais como parede
Cerca, aniquila, duvida..
O cheiro ainda me pega, no enrolar dos panos
O batismo, o apelido, todos me vem ao léu
Em qualquer hora, em qualquer lugar
E fica mesmo quando se implora
Pra ele me deixar
Metaforicamente
Cada qual tem sua expressão
Que de tanto expressa feito flecha
Feriu demais
E ainda fere
Pois era dor que se queria
E agora, dor que não se mede.




Eduardo Bueno

19 de out de 2017

Me tira o sono

Não tinha rosto o que cercava
Nem era o frio que incomodava
Ou o excesso de tua falta
Não era o teu cigarro
Mas sim o lugar que ele ocupava em tua boca
Roubando o tempo das palavras
Carregando com a fumaça as seguranças
E as inseguranças também
Bom pra ti
O sono era ar velho
Fumando várias vezes o mesmo trago
Estrago
Trágico feito tragédia
Gênero do teatro grego
Onde no final
Tudo ri
Eu, rio
Sou rio de desespero no teu cheiro
Não do derradeiro trago
Dá derradeira toada
Que tu nunca me cantou.

Eduardo Bueno

15 de out de 2017

Please

Teu dedo me consome
Teu carinho me desassossega
Tua falta me preenche
O que é que fiz dá gente
O que é que deixamos de fazer de nós
Nós
Desatados, nós de mais
E pouco de nós
Foi meteoro
Trem bala
Foi transformação que doeu
Que dói
Que me consome e me preocupa
Minha cabeça não se ocupa
Minha voz não se liberta
Sua presença era excesso
Sua ausência agora é excessiva
Se a vida é escolha
Porque é tão resistiva ?
Não dá pra não ter saudade
Faz dá mentira nossa verdade
Segue sem paz até se trombar com o novo
De novo
E meu medo de ontem é o de hoje
E suas texturas me faltam
E tua falta me sobra..


Eduardo Bueno

21 de set de 2017

O que eu quis

Que falta eu sinto
Será que é de ti
Dos seus jeitos e gestos
Será que é de mim..
Que angústia me traz
Projetar o que não me conta
Reviver nossas contas
E numa sopa
Que você não pensa em provar
Nessa sopa
Que de tão minha nem pensa em escoar
O tempo passa
Tudo passa
A saudade cresce
De mãos dadas com a esperança
Eu tenho a crença
Eu sou uma criança


Eduardo Bueno

2 de set de 2017

Solo

Nem sei se faz sentido
Um chão tão repartido
Um zói d'água seco de tanto chorar
Um coração agoniado de tanto esperar

Nem sei do trivial
Que brota no fundo do quintal

Só que isolado me faço ilha
Inseguro e indefeso
Preciso só do seu peso
Noutra mãe, noutra filha

E de viola em riste
Sou caçador, daqueles que nunca te acha
Nem sei onde te caçar
Sou violeiro de carcaça triste

Nonde foi o pungente do chocolate
Escafedeu-se, virou arte
Nonde foram teus alentos
Embrenhados por outras partes

Saga de Severinim
Cultivar terra macia
Grileiro leva embora
Sobra a dor na bacia


Eduardo Bueno