Constante investimento neste cegar-me
Forçoso não saber-te
Posto que assombra meus silêncios e solitudes
Aparece com os cabelos em desalinho
O majestoso mar revolto, com uma nesguinha de luar
Agora maltratam-me suas águas
Insistindo tanger a mim
Enquanto tento afoga-las
Erigi-te um mito
Fabulosa façanha de aventura tropical
Nosso amor social
Fiz muito, pra estar sozinho, acompanhando-te
Quase invejo as teclas e o sofá
Que te acharam por tanto tempo
E silenciosos, desvendaram a ti
Nas distrações, no mestrado
E que também, de mês em mês,
Acolhiam a mim
Feroz e faminto
Pela primeira e qualquer textura de ti
Lhe reduzi
Sua existência, ou ausência, chega sempre
Só não acerta a hora
Pois as vezes me pega manso
E as vezes me devora

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