Não tinha rosto o que cercava
Nem era o frio que incomodava
Ou o excesso de tua falta
Não era o teu cigarro
Mas sim o lugar que ele ocupava em tua boca
Roubando o tempo das palavras
Carregando com a fumaça as seguranças
E as inseguranças também
Bom pra ti
O sono era ar velho
Fumando várias vezes o mesmo trago
Estrago
Trágico feito tragédia
Gênero do teatro grego
Onde no final
Tudo ri
Eu, rio
Sou rio de desespero no teu cheiro
Não do derradeiro trago
Dá derradeira toada
Que tu nunca me cantou.
Eduardo Bueno

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