Chega agora que não tem hora de voltar, não tem regra nenhuma pra gente se somar. O vento sopra no meio dos prédios e pega a gente desprevenido, no meio de um beijo, de um carinho, ou então só mesmo sem blusa. Não importa se a letra é torta, nosso papel aceita tudo, tudo que vem, vai e foi; criações de um minuto, planos de vários futuros, tropeços e risadas, calçadas desencontradas, portas fechadas, livros abertos, passos incertos..
Queria que a vida inteira fosse assim, todos os momentos se revestissem disso que a gente chama de surpresa sem saber direito o que é, mas que existe ali na Paulista e nos outros tantos lugares que agente só vai se for junto, por que sozinho da medo de explodir de saudade.
Nossos dias a gente mede como quer, em garfo ou colher, de bicicleta ou a pé, até mesmo sentado num pufe acolchoado ou nas marcenarias sociais do compensado. Colorido já tava lá, só descobrimos como enxergar.. O segredo era colar um nariz na ponta do outro e abrir o olho juntinho, revelando as cores das incertezas desse mundinho.
De tanto em tanto a gente se faz, já ta feito e ainda muda, pra não cair no poço sem fim que é mistura de roda com gelatina. Então ó, nem chora, só ri, mesmo quando faltar energia elétrica, porque a tristeza de hoje só serve pra tristeza de amanhã, e logo já é de manhã e tudo tem que ser diferente, não fora, mas dentro da gente.
Eduardo Bueno

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