Sofre porque sente
Sente por que é assim
Assim é a alma do poeta
Sentir não é sofrer
Mas não se sente de regulado
Sente-se de tudo
E de tudo quanto é lado
Poeta inventa
Poeta orienta
Cria, eleva e abstrai
Mas vida de poeta
É vida de gente
Poeta também come
Poeta não é diferente
A dor que você chora
O poeta também sente
Mas faz do choro a sua hora
E escreve sobre isso pra toda gente
Poeta quando ama é mais intenso
Fica assim todo esticado
E lhe dói tanto ficar calado
Que quando quer dar tempo a seu Amor
O tempo torna sua dor
Poeta já nasce diferente
Fica em silêncio na alegria
E na tristeza é indiferente
Saudades só da terra ele sente
As companhias
O poeta arruma de repente
Na mesa da cozinha
Ou no sofá da sala
No banco do ônibus
Ou em cima da mala
Poeta é assim esquisito
E as vezes parece um apito
Quando alguém lhe assopra
Logo o poeta da um grito
Poeta não vive de distância
Quem vive de distância são suas poesias
Poeta precisa de tolerância
Por que muitas são suas feridas
O poeta sabe quando algo acontece
Porque aprendeu a ficar atento
Aprendeu numa aula muito demorada
Quando de todos lhe faltou acalento
Um poeta não ama por amar
E nem ama qualquer uma que encontrar
O poeta escolhe com cuidado
Pois seu coração é muito esmerado
O poeta entrega com cuidado seu carinho
Embolado num pano de linho
Se tiveres cuidado para com o poeta
Ele lhe amará por toda uma era
Mas poeta é bicho intranquilo
Que vê coisas muitas
No que você faz e em tudo aquilo
Um poeta sempre pede desculpas
Porque entende a sua parte nas suas culpas
O poeta sente demais
O poeta sofre demais
E nem sabe porque
Poeta é assim
Leite gostoso e gelado
Que pra nunca estragar (que chato")
Tem que ficar bem cuidado.
Eduardo Bueno

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