Nasceu sem saber o significado de nada disso, e as criaturas ao redor, notando que ele não sabia, permitiram que suas promessas viessem ao chão. A pequena criatura rescem nascida não exigia mais do que alimento e bebida para ser mantida viva, e foi isso que os governantes lhe deram, comida e bebida, as vezes lhe ofereciam esta ou aquela distração, para que fosse se acostumando ao meio em que viera nascer.
E assim passaram-se anos, cresce a criatura e avança a ditadura, que lhe impede de expor pensamentos e ideais, e a isso dão o nome de ordem. Cresceu sem aprender muito além daquilo que o instinto lhe mostrava, e assim servia para muitas coisas, podia permanecer em lugares secretos, ouvindo conversas secretas, vendo rostos secretos, e nunca se daria conta do que se passava. Por isso era agraciado, sem saber que esse era o preço de sua vida.
Morreu no exato dia de seu nascimento, como que para por fim a uma história mal concebida, a um acaso mal ajambrado. E como tantas outras criaturas, viveu sem saber o porque vivia, e morreu porque acabou seu prazo de validade.
Eduardo Bueno

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