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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

27 de fev. de 2012

T de querer.

 Tantas e tantas vezes senti necessidade de te botar pra fora, através de meus traços, através de minhas cores, através de meus versos... Tantas e tantas vezes não fui capaz de expelir aquilo que me corroía, que levava minha mente a ficar estagnada em um único ponto dos acontecimentos... e nessas vezes, deixei o lápis cair enquanto contornava sua silhueta, pintei fora dos contornos enquanto pensava em você, e parei de escrever no meio de meus versos, pois resistia a te botar pra fora de mim.
 É casual a maneira como se descobre valores em alguém, foi extremamente relevante a maneira como te vi pela primeira vez. Era um novo passo em minha vida, a obtenção de uma graduação, o surgimento de novas idéias e de novos pensamentos... Te vi assim, algo novo, extremamente belo, como o brinquedo que fascina a criança atrás de uma vitrine.E foi assim que te imaginei. Envolta em uma redoma protetora, a qual eu jamais poderia quebrar para ter acesso a suas formas, a seus cheiros, a seus segredos, a seus medos, a seus prazeres... Assim levei, por um longo tempo.. te via todos os dias, e cada dia notava algo novo, que passara despercebido ontem ou que você trouxera hoje. Provavelmente essas atitudes foram herdadas de minhas experiências, de minha forma platônica de amar.. minhas necessidades estavam presentes, e outras bocas tocaram, outras mãos apertaram e outros cheiros sentiram, mas um pouco antes de dormir, era sempre você que me abraçava, que estava ao meu lado enquanto eu dirigia, que conversava comigo sobre a qualidade dos drinks e das peças teatrais, que me conduzia através de um caminho novo, que eu jamais conhecerei em outros braços... chamam isso de devaneio...
 Mas acontece que assim como os quilômetros, o tempo passa... e as coisas mudam. Passei a olhar para você e não mais ver o nauseante brilho da redoma que te guardava, pude ter acesso a seus olhares, e deixei você saber quem era a criança a qual os olhos brilhavam por você... Mas como toda criança eu agi, como toda criança eu tropecei. Almejava tanto compartilhar minha existência com você, que no momento em que notei a ausência da redoma, estendi minhas mãos para segurar-te, sem saber onde segurar ou o que fazer.. infelizmente, por um motivo ou outro, você não gosta que te segurem tão forte.. provavelmente te seguraram tanto que te machucaram, ou quebraram suas asas... não entendo como é isso.
 Esses acontecimentos me ajudaram a compreender algumas coisas, como o fato de que é melhor provar com atitudes a vender com palavras... teu olhar me deixa estático, tua voz é a melodia que rege meus músculos e teu perfume escurece minha visão. Nesse caminho, meu futuro é incerto, pois ainda te vejo com os mesmos olhos de antes, te admiro talvez ainda mais... mas já não tenho aquela segurança que estava sentada a meu lado no dia em que resolvi lhe contar meus segredos, e por vezes noto um reflexo dos raios do sol a seu redor.


 Se parar, não quer dizer que desisti, mas que entendi o que você me disse. Se continuar, não quer dizer que não entendi o que me disse, e sim que minha vontade por ti é enorme, continuarei não como Platão, mas como eu mesmo.


 Mas sabe como é, as vezes as pernas doem ao longo da caminhada, são tantos desvios, tanto tempo andando atrás de um objetivo, tantos caminhos errados que nos fazem perder tempo... que é necessário sentar, descansar um pouco, e refletir sobre o que esperamos encontrar ao fim de nossa jornada.


 E assim, eu me alivio......





                                                                                      Eduardo Bueno

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