O cotidiano passa, e me sinto apenas um passageiro.
O tempo escoa, dissolve e voa, de seu jeito ligeiro.
Amanhã é o dia de te ver
Ontem é o dia que te vi
Hoje, solitário como sempre, eu me entrego aqui.
Nas masmorras dos números, que cercam a expressão
Vive aquele que pensa, e não encontra direção
Pergunta-se como sabe que está errado se não há certo
E por que há de querer, que alguém fique tão perto.
O calor lhe machuca, as vezes lhe dói o afeto
Mas o coração sangra por algum motivo
E lhe indica que ainda está vivo.
Escrevia versos nas paredes, distorcendo os campos magnéticos
Para que alguém visse seu legado, e soubesse como é sobreviver dessa forma
Um pequeno intruso, num mundo idealizado, regido por leis desconexas
Onde o ontem e o hoje, são reais apenas para quem os dita.
Desconexões são tão frequentes que o enlouquecem
E as novidades desencadeiam a explosão
Num mar de luxúria e excitação,
Sobra apenas a leve batida de sua pulsação.
Eduardo Bueno

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