Tenho os barcos, mas como hei de navegar sem as ondas tantas do teu mar revolto..é o que não cala em várias horas.
E tendo tanto, é como se nada houvesse, além do drama de se arrastar pelas horas longas de adoração ao futuro do pretérito. É como se meus volantes todos ainda decorassem tuas curvas, tuas formas nuas, como se todas as buzinas soassem com seus mesmos alardes.. e na terra da garoa, restam os demônios, de cada esquina, de cada praça ou jardim, e pelas serras, subindo ou descendo, o pensamento se estaciona nas vezes tantas que me levaste pra sua morada, prima irmã do mar. Andava de um jeito quase torto, mas se aprumava nas ondas.
Que o tempo agora é só passagem - sempre foi, mas não se notava - e dentro dele só se alcança a paz no pôr do sol, que construímos nas encostas do cerrado.
Quantas metáforas já se somam, e quantas tantas ainda hão de se despejar antes de esvaziar esse menino novo.. Quantos são seus traços, timbrados a ferro e fogo.
Não existem novos fins para as palavras, ou novos começos para as histórias, pois que apagou-se naqueles colchões, as cores e os floreios.
Segue raso, fino e leve, feito a folha que se acomoda sobre o rio e segue ao bem das vontades que lhe são alheias.
Eduardo Bueno

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