Cabide certeiro, teu jeito faceiro tem um que de "o que?" que eu
jamais entendo, tem um contentamento simples de felicidade rasteira, que
arrasta qualquer vontade minha pra perto dos teus abraços onde
estiverem. Tem um ar profano de vontade acumulada, de pecado pra se
pecar, de leite pra se derramar sobre tua cor.. Um 'sem motivos' de
estar aqui, de incertezas cultivadas com carinho, dos teus pés ajudando
no meu caminho. Me fiz, bobo, passageiro e incerto, mas fiz e não
desfaço, não descalço os nossos planos, só pra tomar um banho de
cachoeira contigo meu abrigo..
Dos olhos me atacam uma profundeza
sem fundo, feito um amor tão seu, que aconchega cada volta excêntrica
da minha concentricidade oblíqua meio enviesada, me levando até seu
peito e querendo mais nada. O som das tuas ideias, dos teus
desassossegos, do prazer que sai gemendo pela garganta, as composições
tão naturais que nutrem por si só os dias tantos, escassos..
infindos..
Nem arruma nada por aí, que chego já e é pra
bagunçar, plantar nosso hoje todo dia, decifrar tuas vontades no teu
olhar e te enxergar de olhos fechados, te sentir com o corpo, sem as
mãos.. Ao invés de guiarmos, nos deixar guiar, pois vejo em cada curva
tua um altar pra adoração, em cada suspiro um quê de adoção,. Vem, me
encontra pra nos perdermos..
Eduardo Bueno

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