Ah mulher, que essa tua essência não nega teu sangue. Forte, de uma raiz profunda, intensa e louca. Que esses teus olhos não escondem o tamanho do teu amor, que consegue ser maior do que essa maluquice que nos enche de calor, de vontade, de ódio e de amor. Que eu não me aguento com você aqui dentro; você se mexe demais, da soco, grita e puxa a barba, te faço feliz e cê logo já ta braba, mas eu já não me aguento em pé sem você aqui, me sustentando a cada passo, me dando segurança em cada mudança, me puxando pelos beijos a cada vez que eu penso cair.
Ah mulher, que você não é normal. Me irrita, me move, me faz passar mal.. Inova, renova, cria, respira.. Me leva que você já me ganhou nessa aposta de alto risco, que o mundo todo é só um cisco pra gente que não aceita limite, que nesse Universo todo não há quem nos imite.
Nessa bagunça eu preciso me mexer, e isso me faz ver, faz buscar e faz querer; e a culpa é tua, toda tua, de eu ser alguém melhor, de eu querer ser maior, do espaço ficar cada vez menor, de eu querer uma casa com quintal grande com paredes coloridas, de eu me importar com o que é importante, de eu juntar reciclagem, ajudar pessoas e enxergar o mundo. A culpa é tua, toda tua, de eu ter tanto interesse em tudo que você faz, de eu te querer no meu abraço, na minha mão, na minha boca.. Culpa tua eu ser tão feliz, eu ficar e não querer ir embora, nem mesmo quando rola uma discussão antes da aurora, culpa tua eu te querer aqui e agora.. E dessas culpas tu não se livra mais, que meu nome é tradução de eternidade, e o teu eu sei, significa a minha felicidade.
Eduardo Bueno

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