Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

2 de jul. de 2013

Que mais seria..

Rosa by Devendra Banhart on Grooveshark




 Era do mundo, raro como a neve, cálido como seu abraço. Será que assim eu consigo ver mais adiante? Será que a gente quer mesmo seguir mais leve? Ou gosta mesmo é de se prender, de discutir e de amar?
 Pensa que não sabe nada, sabe que sabe muito pouco porque a vida é mais que a palavra.
 Naquela floresta perdido, sem coroa, sem nome, noite escura, céu fechado, era o breu de teus dias refletido na angústia de muitas noites frias e sozinhas.
 Mas que nome era esse? Que se sustentava nas próprias asas me fazendo olhar pra cima.
 Mas que nome é esse? Que me mata de pouco em pouco, que me tira de mim e me bota onde quer.
 Mas que nome era esse? Que me prendia sem corda nenhuma e me alimentava sem colher.
 Era um pedaço de muitos outros, mais uma história entre tantas, com suas causas e causalidades; injustiças justiçadas, esfihas abertas, japão paulistano e um pouquinho de altruísmo. Era cor em forma de sabor e alegria em forma de cor; era colorido cancionado, pedacinho de um nada amargurado e uns goles de vida. Aqui e acolá só nos existia em forma de beijo, Acolá e aqui nos existia em forma de horas longas e despedidas emocionadas, era choro e beleza, era fumaça e tristeza, foi ontem, foi pureza.
 Ao ímpeto só resta calar, com um pouco daquilo que se recomenda e mais um pouco do que ninguém sabe. Só resta apaixonar-se pelo incerto, jogar-se sem as pernas, da altura que quiser, e flutuar nesse campo paramagnético que se dilui aos poucos.

 Lavanderia amarelada, escura estrada de um pedaço mais glamouroso de ti. Pedaços de amor ainda jogados em um canto, sem receber o justificado valor promocional que lhe era devido; algumas doses de dor intensa na confluência dos rios e a saudade das mãos singelas cobrindo os risos garbosos e intensos demais. A escrita que não sai do papel e a coroa que não sai de debaixo do chapéu.

 Mas amanhã escurece, e depois clareia. Incendeia de vida a vida da minha aldeia, preenche com água o espaço que falta e manda tirar um pouco mais que o capitalismo não pode esperar. Afina, e sobe mais um tom, que hoje a noite é longa e a Lua é cheia.




Eduardo Bueno

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