Do tempo, dos verbos, das angústias
Eu te entendo
É uma fúria funesta sobre si mesmo
Que conecta os dias e as lágrimas
Da espera, das luzes, dos dessabores
Eu compreendo
As verdades amargas, as causalidades
Uma vida, muitas idades
Das águas, das manteigas, dos pastéis
Eu ascendo
Vivi muito de todos
E para minhas convicções
Os considero tão poucos
Da raridade, do discreto, do intenso
Sofrimento
Pelas águas limpidas que me banham o rosto
Pelas noites escuras que me cegam os olhos
Do incerto, do confuso, do indeciso
Me aceite
Na indefinição de nossos dias
A certeza é sempre a mesma
Eduardo Bueno

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