Um terço de tudo aquilo devia-se a encruzilhada, sem duvida.. Um poço amaldiçoado de dores e odores, aclamações e exclamações, poderes e coisas possessivas. O sabor de vômito lhe subia à garganta quando virava a cabeça ou quando tentava recordar seu nome, havia perdido enfim sua maldita identidade.. Seria esse um mundo com Deus?
Pensou por muito tempo que desistiria de toda a luta já fracassada, mas alguém lhe disse que o que importava era na verdade o caminho e não a chegada, então continuava a tomar porradas com um sorriso cada vez mais aberto no rosto. Mas agora já enjoara, sangue lhe escorria pelo nariz e as juntas doíam como nunca.. o preço de uma vida!
Sentia-se felpudo em demasia, amassado, grande demais pro seu próprio corpo e pequeno demais pras suas próprias ambições. Nessas horas tinha sono e vontade de mandar alguém tomar no cu.. acabava dormindo e acordando tarde demais.. Estava se tornando uma bola sonolenta, desonesta, fúnebre e irracional. Identificava-se agora com aquelas pessoas que adquiriam dupla personalidade, mas não entendia como isso funcionava, era apenas uma desculpa.
As risadas o incomodavam cada vez mais, os silêncios abruptos também, as tristezas, as felicidades, a porra toda.. Queria gelo.. com Whisky. Malditas escolhas que o levaram até ali. Malditos pensamentos felizes e hediondos, malditas cores destonantes e musicas agudas..
Estava decidido a subir ao espaço pra enxergar as coisas dali, mas não agora, porque estava muito cansado...
Eduardo Bueno

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