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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

2 de fev. de 2012

Chorda.

 Certos dias era assim.

 Ao despertar não abria os olhos, alguém lhe falara que se assim fizesse poderia lembrar de todos os sonhos. Gostava de sonhar, não havia limites no mundo dos sonhos, pudia ser colorido ou preto e branco, a magia era a mesma.


 Certos dias era assim.


 Gostava de andar descalço pela casa, sentir o chão gelado, se comunicar com a Terra através da planta do pé.


 Certos dias era assim.


 A varanda era espaçosa, bem arejada e iluminada, embora houvesse somente uma sombra fresca o dia todo. A ausência de vizinhança tornava o lugar um ambiente agradável para se passar as horas.


 Certos dias era assim.


 Indagava-se o porque de quase tudo. Para quase tudo encontrava uma resposta, palpável ou não. As vezes se indagava sobre o que não lhe fazia bem. Não obtinha respostas, palpáveis ou não.


 Certos dias era assim.


 De olhos fechados via um mundo além deste. Podia ser quem quisesse sem esforço. Podia provar facilmente a todos o quão era bom, agradável. Podia fazer tudo aquilo de que sentia medo. Podia viajar no tempo, ir aonde quisesse, mas ia sempre ao mesmo lugar.


 Certos dias era assim.


 Dizia-se que ele se perguntou demais, duvidou demais, soube demais, buscou demais... Por isso tornara-se o que era. Não sabia se tinha família, se tinha irmãos, filhos, amores, sonhos.... dúvidas...certezas.


 Certos dias era assim.


 Frequentemente eu o via, sentado na varanda, com os pés descalços. Os olhos fixos...vivos. Eu via, ninguém via. Eu via, ninguém notava. Eu via, ele não notava. Eu via, ele enxergava.


 Certos dias era assim.


 Por trás de suas piscinas eu o via, todas as questões, todos os mistérios. Podia ver os amores e os arrependimentos. Mas não podia ver suas respostas.


 Certos dias era assim.


 Caminhava até o riacho e ali molhava meus pés, via a água, sentia sua força. Pensava no homem da varanda e no porque era tão sozinho. Me perguntava se eu também seria sozinho. Me perguntava quais seriam suas perguntas. Me perguntava quais seriam as minhas perguntas


 Quando parei de me perguntar foi que percebi como estava fresca a varanda.





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