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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

12 de jan. de 2012

Pequeno Trecho Inclassificado

- Se lembra dos muriates? Da forma como cantarolavam e abanavam suas cabeças? 
- Claro que sim, como poderia me esquecer - Veridiana respondeu entre risadas - tenho aquela foto que você tirou de nós até hoje, no mural do meu quarto.
- Eu não, a máquina que tirou - falou Eduardo, brincalhão como antigamente.
 Os dois caíram na risada.
- Parecia que aqueles dias não teriam fim - o tom na voz de Eduardo voltara a ser mais sério que o habitual.
- Talvez realmente seja como dizem, o que é bom dura pouco.
- É, talvez seja.., me passe o controle da TV por favor - os olhos do garoto voltaram a ficar vazios, sem sentimentos nem vida.
 Veridiana não teve dificuldade em encontrar o controle da TV, após o acidente o garoto havia adquirido o hábito de limpar o apartamento todos os dias; ela achava que era algo que ele fazia como forma de não pensar no acontecido..., ele havia mudado drasticamente.
- O Du, você ainda pensa naquilo tudo? - ela perguntou enquanto entregava o controle.
- Você sabe que sim, não sei porque pergunta toda vez a mesma merda...
- É que você precisa se abrir, aceitar o que aconteceu, você tem que entend...
- Eu já sei tudo que você vai falar. Acha que eu sou trouxa? Que eu não aceito o que aconteceu? Era a única menina que eu amei de verdade, aí vem um f.. um filha da puta e faz um negócio desse.. Tudo que eu podia eu tentei fazer, você sabe melhor que todo mundo, eu perdi tudo que tinha tentando encontrar aquele desgraçado, .... como se fosse trazer ela de volta...
 Os olhos do garoto estavam vermelhos e encharcados. Vê sentia-se culpada, mais uma vez, e como sempre, tudo que ela podia fazer era abraça-lo enquanto ele chorava como no dia do acidente.

 Eduardo e Mariana namoravam a 2 anos, o garoto nunca estivera tão feliz, e Mariana não tinha como disfarçar sua satisfação. Certa vez decidiram dar azas ao sonho do rapaz de fazer um mochilão pela América Latina; dar uma passada no Peru, Chile, México, e onde mais desse vontade. Haviam juntado dinheiro suficiente, Eduardo agora exercia sua profissão, muito bem por sinal, e Mariana estava dando os primeiros passos como cirurgiã. Decidiram convidar Veridiana, que já havia feito mochilão por quase todo o mundo; tinham 25 anos na época; a garota topou de bate pronto.
 Deram início a viagem em um Dezembro ensolarado, curtiram as paisagens e as descobertas por lindos e curtos 45 dias. Eduardo esbanjava carinho e Mariana retribuia em dobro; Veridiana sempre os achou um belo casal.
 Estavam em Acapulco na noite anterior à volta pra casa, curtindo um belo de um hotel 4 estrelas. Mariana quis aproveitar ao máximo o último dia e decidiu que iriam todos para uma feira que acontecia diariamente na praça central, conforme havia lhe informado o gerente do hotel. 
 A tal feira estava abarrotada de gente e Eduardo não se sentia a vontade com aquilo, mas havia se acostumado, pois Mariana era do tipo afetiva e casa cheia era o seu maior prazer. Passaram por um grupo de muriates e o rapaz ficou encantado com a forma como tocavam violão; decidiu que faria mais um curso de violão quando voltassem ao Brasil.
 Na volta para o hotel infelizmente cruzaram com um grupo de garotos bêbados que estavam em um carro, o qual cruzou o caminho de Mariana... fora fatal, e nada havia de ser feito.
 Eduardo passou mais 1 mês no México, junto a delegacias de polícia, farmácias, e lençol. Passou por lugares os quais sente-se medo até de imaginar, e molhou a mão de muita gente para encontrar o maldito rapaz que dirigia o carro. Segundo a polícia local, o carro, encontrado dias depois, pertencia a uma facção criminosa mexicana, muito conhecida pela violência e poder monetário.
  Voltou para o Brasil quando viu que não seria possível obter justiça pela morte de sua amada. Eduardo não era mais o mesmo, havia emagrecido, abandonou o emprego, parou de sair de casa, não ria com frequência e adquirira estranhos hábitos cotidianos.Fazia exatamente 3 semanas que voltara e Veridiana ia para seu apartamento quase diariamente, Mariana era sua melhor amiga, e ela não conhecia homem mais amável que Eduardo, além disso ele não tinha família a recorrer e parecia não querer falar muito com os pais de Mariana. Nesse tempo o rapaz havia contado a ela boa parte daquilo que havia passado.

 - Me desculpe Du, eu só queria te ver melhor, queria que você voltasse a ver a vida como via antes..
 - Meus olhos são os mesmos, o sentido de tudo é que mudou...

 Veridiana ainda não sabia, mas havia muito a aprender com Eduardo, e ambos não sabiam que a história era muito mais longa que essa introdução...




                                                                                         O Autor

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