Quem sou eu

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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

4 de dez. de 2011

ds/dt

 Ali, com os pés na água, podia sentir o vento tocando seu corpo. Uma brisa leve, que fazia ondular ligeiramente as águas do rio, também purificava sua alma.
 Era bom estar ali, sentia-se novo, revigorado, mas já era hora de partir.
 O mundo aguardava ansioso sua visita, parecia não se importar com guerras nem com religiões, apenas ansiava por senti-lo pisar em sua crosta.
 - Tudo bem, já é hora - ele disse - vamos andando!
 Dito isso, levantou-se o mais rápido que pode, ainda estava se adaptando aquele corpo. Seu transporte o aguardava logo adiante, mas as águas já não estavam mais tão calmas quanto antes. Parecia que também necessitavam de sua presença ali.
 - Eu voltarei, não tenha medo. Dê o melhor de si enquanto eu estiver fora. - despediu-se assim do rio.
 Ao entrar na condução, deixou-a em piloto automático para que pudesse revisar sua lista de tarefas a cumprir. Onde estava mesmo?
 Procurou a sua volta, mas as luzes começaram a piscar. Tinha de estar ali, ele havia deixado lá. Pode sentir uma alteração na velocidade, estava perto, era de suma importância encontra-la o quanto antes.
 - Aqui está você então - falou enquanto removia as anotações de debaixo de uma enorme pilha de livros - achei que tinha me abandonado.
 Mas que estranho, já não podia entender sua própria escrita, haviam lhe dito que isso aconteceria, mas ele lembrava-se de algumas das anotações.
 - Bem, hei de estar preparado, ou não estaria aqui.

 Percebeu que a condução havia parado, desceu desajeitadamente do transporte. Essa superfície era diferente, macia, diferente da borda do rio. Não podia ver suas mãos, mas sabia que não precisaria delas, não ali.
 - Já é hora.
 Pela primeira vez em sua existência sentiu-se preparado para o que houvesse de acontecer, estava em plenitude consigo mesmo, podia sentir o fluxo que vinha de lugar algum.


O obituário dizia que o homem sucumbirá aos ferimentos, mas na realidade ele os havia superado.


                                                                                         O Autor

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