Estava tendo enorme dificuldade em lidar habilmente com o físico e o psicológico, como se já não pertencessem a mesma dimensão. Claro, não havia de ser diferente, o obrigavam a pensar em vários eixos com diferentes fasores e coordenadas; como não haveria de segregar idéias tão profundamente fundamentadas em bases ortogonais descomplexas ?
A loucura fazia parte de tudo, estava em cada movimento de seu eu físico, estava em cada frase imaginada por sua psique. O que deveria ser como preparo de miojo estava se saindo mais como o preparo de lasanha bolonhesa, com seus molhos e tempos de cozimento. Lasanha é melhor que miojo...
Via-se claramente em seus escritos que algo que antes pertencia a ele já não fazia parte do mesmo ser. E não era exatamente essa parte que ele estava determinado a descartar.. não não. A parte descartável é aquela que se tornava cada vez mais presente, cada mais forte, cada vez mais duradoura.
A porta estava fechada.
As janelas estavam travadas.
Até mesmo os ralos haviam sido bloqueados.
O que fazer? Levantava seus olhos em direção ao céu, mas aí lembrava-se de como o céu realmente é.... gases.
Estreito corredor, candelabros enferrujados, espada embainhadas, tristeza, frio, escuridão.
Olhos abertos, mentes ativas, perfumes adocicados, abraços apertados, beijos molhados, ilusão real.
A chave estava em cima da mesa, mas sentia-se pequeno demais para perder tempo levantando seus braços e alcançando-a.... Qual o tempo em que seria devolvido a si mesmo? Qual o tempo em que voltaria a entender-se de forma completa? Qual o tempo em que aquele sentimento rebelde, introvertido e viciante assumiria a maldita posição de destaque.... Isso tudo o deixava louco. Seus olhos reviravam-se a todo momento, esquadrinhava cada canto da imagem formada em seu cérebro a procura sabe-se de que. Já não respeitava o momento de cada um, queria ser superior a todos, queria vencer tudo, levar tudo no peito .. mas aí seu joelho doía.
Em seu íntimo sabia de duas verdades próprias:
[1] Quando tivesse a garota ao seu lado, se sentiria aliviado e em ordem.
[2] Se fosse mais forte do que costumava ser, poderia sobreviver a tudo aquilo e se dar bem, mesmo sem ela.
Mas aí sentia-se burro, fraco e raquítico. Por que aquilo, aquele pequeno detalhe que deixou escapar lhe causava tanta dor? Ele não podia se render.
-Mas os olhos dela brilhavam tanto.
-Seja forte.
-Mas quero que ela me veja, quero vê-la.
-Apenas concentre-se.
Sua cabeça doía... suas mão enrijeciam-se... sua mente estagnava em um só ponto: D: (P,A)
O grito subia até sua garganta, mas a razão o estrangulava com força absurda, a mesma que ele desejava ser capaz de controlar para tapar aquele enorme vazio.
"era fera demais
Prá vacilar assim
E o que dizem que foi tudo
Por causa de um coração partido"
Prá vacilar assim
E o que dizem que foi tudo
Por causa de um coração partido"
Há saída, há resposta, há solução pertencente aos reais, nós sabemos.
O Autor

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