Vivo um sonho
que é sonho só as vezes
Só quando lembro de teus cheiros e cores
Mas sobretudo dos seus olhares
Sobretudo dos meus pesares
Ter sido homem, como sempre sou
Nesse sonho revisito
As curvas de tua senzala
Dando voz mais uma vez a sua alma
Indigena, cabocla
Vejo o tom de suas histórias
A distância das suas caminhadas,
A prontidão de se por em estradas.
Nesse sonho revisito
O pior e o cruel
Do pensamento pouco
Do homem menino
Do branco cruel e insoso, feito caldo português
Desmereço os dedos que escrevem
Pois ausente da carne, não te feria
Do sonho acordo as vezes,
mais quando dói
e vivo.

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