Macuco baixou seu braço, retirou a guarda e permitiu se ver estampado nos olhos dela.
Era uma mistura de fogo com flores, irreconhecível e nunca escanhoado antes; sentiu falta daquele cachorro negro chamado Alicerce a que ela tanto se agarrava;
Perdeu-se por um minuto sem a sua guarda, enrolou-se com os papéis que teria de assumir e com as malas que deixou cair. O aeroporto era só um descampado, como se um relojoeiro cósmico tivesse voltado o tempo à estaca zero, como se uma incerteza qualquer, misturada com as dores da vida a tivessem levado embora.
Macuco tinha as marcas da sua missão, tinha o cansaço, o sono e a solidão. Tinha fome de bolo e cocada, de brownie e de comida pilada; tinha saudade do embaraço dela diante das coisas e da certeza diante das injustiças. Tinha as lagrimas, que rolavam pra dentro num negativo universal, só não tinha mais um caminho.
Deu um passo, de olhos fechados e guarda baixa; um passo inevitavel e desconhecido rumo a seu próprio coração; desejou-lhe compreensão para com a vida e menos ervas em seu percurso, desejou-lhe em silêncio, pois de outra forma não ouviria.
Eduardo Bueno

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