Voa garça
Feito graça
Faz graça, tira troça, se zanga, manga
Tiro no escuro
6:00 da manhã desliga o alarme ao inés de levantar
7:10 levanta ao invés de sair
8:00 sai ao invés de chegar
Pega linha, pega ferro, aperta, encosta - e o povo achando que ele gosta
Maqueia o dia , se entrega à noite feito quimbanda
E falta as conexões,
Da vida, dos sentidos, do futuro
Se entrega nas filosofias vãs, varas e rãs, pau a pique e sapê, inverdades inglórias do esquecimento que não é digno de ser lembrado
Mas não gosta de referenciar suas troças no mesmo ponto
De referir sua vida aos tantos tontos, às ligações e páginas que lhe emburrece
Lhe emburrece
Se emburrece
Te emburrece
Nos emburra
Antes pedia que não lhe fizessem troça, ante aos tropeços,
Mas viu que passa, que a palavra dita saceia a boca do ditador que ousa ditar os caminhos por outros arranhões
Voa pesado
Asa encharcada
De suor, lágrima, chuva
De norte escurecido pelo que te deixa torpe
Pelo que te leva a outra nação
Sente que sente, displicente
Traduz a vida nas linhas de um A4 pra se vender pra quem quiser pagar
E segue em frente
E toca o barco
E empurra a bola
Que pensar torna dificil obedecer
Torna dificil encontrar lugar
Torna dificil explicar o momento
Falta cimento?
Ciumento
Paleta em cores
Palheta em tons
Prancheta em letras
E voa garça
E segue em frente
Estende o braço pra frente e pega o rascunho que te sobra
Do espaço menor que conseguirás em vida
E voa graça
E toca o barco
Eduardo Bueno

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