Quem sou eu

Minha foto
Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

28 de mar. de 2014

Pra que se pense

 Amarildo era assim mesmo, meio abobado
 Dormia de dia e de noite ficava acordado
 Como quem dormia cedo achava estranho
 Amarildo ficava esquecido em seu próprio sonho
 Deve estar pensando que ele era meio sono - eu suponho
 Mas me garantiu que ja estava bem alerta após o banho
 Gostava de se vestir com umas roupas meio amarrotadas
 Dizia que dava um ar solene à suas tropeçadas
 É que também era meio cego de um olho, e um pouco coxo
 E  fazia sem igual macarrão com repolho, daquele roxo 
 Em certas lojas ele não entrava, porque o povo não aceitava
 Ele dizia que não queria mesmo, se aprumava e caminhava
 Pro Amarildo a vida corria sempre tranquila
 Se lhe faltava filé de frango, ele comia carne de enguila
 O povo olhava pra ele com um desprezo
 Pelo cabelo desgrenhado, a roupa amassada e o chinelo preso
 E ele se via Rei de todo mundo, pois atraia aqueles olhares curiosos
 E todos eram nobres, que fitavam o Rei como se fosse plebeu, com seus olhares furiosos
 Sozinho, Amarildo seguia com todo mundo, se sentindo junto nessas avenidas abarrotadas
 E por um instante se fazia de louco, esquecendo assim das roupas amarrotadas.






Eduardo Bueno

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Grato pelo comentário. =]~