Era amizade, novidade, em contraste com o que eu temia. Era vida, isenta de agonia, era barulho alto, daquele que me balançava, era um anzol, e eu era a mão que iscava.
Mas não foi assim, de todo bonito. O fim tem um começo, assim como o começo tem um fim.. De nem tudo se cobra um preço, mas o ar parava no meu pescoço.
Quanto brilho incessante, calor angustiante, estado alarmante.
Estado era a configuração do que eu tinha, quando ainda era minha, mas eu dei tchau e convenhamos, nem foi assim tão mal. Mas depois bateu, ah que agonia! Sentia-me zonzo, afogado na própria ironia.. Mas o novo começo teve um novo fim, o ciclo é sempre assim.. A menos que se encontre aquela que no fim trás o recomeço, ahh, quanto apreço. Diz pra mim se eu mereço?
Tristeza não havia, nem frustração, não haveria de seguir em frente com tanta encheção.
Diziam que a vida era assim, um dia bagre liso, e no outro guaxinim. Só esperava que tivesse café pra mim.
Uns dias fiquei ali, no escuro, no ostracismo, vivendo de miojo, bolacha e cinismo. Tinha uma internet boa, um fone bom e bom discernimento cultural, sequer me faltou o mingau.
Hoje estamos ambos aqui, eu e a solidão; agora tem vinho, queijo e pão, só falta o teatro, pra levantar a moral desse povão.
Era brincadeira mas também não era, de noite ficava bem, e o que que era? Coisas novas, mundo novo, vida outra.. Mas ainda me atrasava, e também confundia.. Seu brilho na minha noite, essa noite no meu dia.
Eduardo Bueno

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