Tinha cores de toda a gente.
Tinha a vendinha do tio
Que sempre dava bala,
Tinha guaraná de saquinho,
E quando a gente chegava de manhã tinha beijinho.
No quintal da vó tinha mangueira,
Tinha filhote de gato na bacia,
Segredo no fundo do poço, curioso
E de tarde tinha torta quentinha.
Na outra vó tinha galinha no quintal,
Carne moída com batatinha, ovo frito e coisa e tal.
As vezes tinha priminho e priminha
Brincava de carrinho e de casinha,
Andava de bicicleta e nadava na prainha..
Hoje aquela rua é só uma rua,
Tem carro e tem buraco,
Tem pedrinha e vidro em caco,
Mas quando a gente olha aquela gente bem nos olhos
E abraça bem apertado
O corpo fica leve, o coração vem na garganta e fica entalado,
A gente olha pro olhinho da vovó e ele ta todo molhado..
Aí a gente sabe que tudo ainda ta ali,
As galinhas todas, o Rex e a Fifi,
Porque as cores daquele tempo, pintaram o coração da gente
E por isso que a gente cresceu assim
Colorido e todo diferente.
Eduardo Bueno

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