É quando se quer esticar os braços e correr por aí fazendo aviãozinho até encontrar aqueles lábios macios.. mas as portas ficam fechadas e os guardiões desaparecem, nem há quem enfrentar. Os ombros ficam fracos e o chão mole demais para o alicerce.. Palavras, números, silêncios... só quero encontrar um cano pelo qual entrar.. e me virar sozinho no meio da lama toda. Desviar dos obstáculos, fazer as honras da casa, proclamar frases feitas, rediscutir as discussões, fritar o alho .. sem sentido. Amanhã as moléculas seguirão cada qual seu caminho e a consciência se perderá no espaço.. "ah, mas hoje tem q ser assim.. pra amanhã poder ser assado".. não há amanhã.. o que eu quero é pra agora... "um passo após o outro" ? Deixe-me andar então, permita o vento em meu rosto e me dê o telefone da pensão no interior.
Fartura, de colheita, de alimento, de discussão, de rotina.. não fizeram de mim uma gelatina; por que me mostram somente a geladeira ? Quero vida e poeira, calor e suor, cheiro agridoce e uma isca no anzol, não naquele embaixo da água, mas naquele acima do céu.
Me dê um pseudônimo e eu deixo uma barba nova, troco o chinelo pelo tênis e começo a fazer xixi nas arvores centenárias.
Sentido há no que é sentido.
Eduardo Bueno

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