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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

14 de abr. de 2012

Nos adendos da existência.

Saia quase nunca, daquela pobre espelunca
Se saia era pra padaria, comprar queijo e montaria
Era dono mas era criado, sempre pelos clientes era montado
Servia apenas como mão de obra, porque lucro nunca havia de sobra
Mas de quando em vez, viajava lá pras bandas do Norueguês
E lá tudo fazia sentido, não se sentia vendido
De posse de suas penas, escrevia uns tantos poemas
E distribuia pelas ruas de Adriano, cidadela pequenina, fundada por um cigano
Lá sua escrita tinha valor, e era chamado por isso de Comendador
As crianças o adoravam e as donzelas o amavam, os ratos apenas o cheiravam
Esse era o tempo de sua alegria, onde não havia nenhuma agonia
A não ser a ausência de um pato sobre a mesa, na mais bela suculência
Quando esse tempo se findava, dificilmente ele chorava
Pois a realidade o esperava, e ele ansioso a aguardava
Pois no ardor de todo dia, tirava as bases daquela alegria
Os sofrimentos e as mesquinharias, 
[...]se transformavam em todo o amor que havia naquelas linhas.


Eduardo Bueno


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