No preâmbulo da madrugada
A batida cumpre seu papel
Tinindo nos ouvidos a batucada
Jorrando o brilho das estrelas no céu
A carne tem seus vícios
Dificeis de serem superados
Entre um devaneio e outro
Corpo e alma ficam separados
A estranha figura que vive em mim
Se mostra de forma possuidora e agressiva
Buscando uma gota de carmim
Ignorando a razão recessiva
Veneno puro e puro mel
São por iguais atraentes
Cada um esbanja seu próprio fel
Revirando e tornando-se confluentes
Aviva-se a recordação de uma conversa
Recorda-se a dor de uma emoção
A vida não é assim tão controversa
É que não mais se carrega
Pureza no coração
Nem o próprio sabedor
Dessa amargura está livre
Pois todo esse seu pudor
Lhe traz a boca o gosto de gengibre
Clarão do tempo a lhe incomodar
Escuro conformado para lhe agradar
As destonantes canções que saíram de seus lábios
E nunca puderam caminhar
Onde outrora havia apenas esperança
Agora havia também, o real sentido de cobrança
Mas não se desespere
Pois quando olhar para trás
Há de ver a qual motivo tudo se deve
Eduardo Bueno

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