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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

5 de mar. de 2012

Divergência cerebral da Confluência Teatral

 No preâmbulo da madrugada
 A batida cumpre seu papel
 Tinindo nos ouvidos a batucada
 Jorrando o brilho das estrelas no céu


 A carne tem seus vícios
 Dificeis de serem superados
 Entre um devaneio e outro
 Corpo e alma ficam separados


 A estranha figura que vive em mim
 Se mostra de forma possuidora e agressiva
 Buscando uma gota de carmim
 Ignorando a razão recessiva


 Veneno puro e puro mel
 São por iguais atraentes
 Cada um esbanja seu próprio fel
 Revirando e tornando-se confluentes


 Aviva-se a recordação de uma conversa
 Recorda-se a dor de uma emoção
 A vida não é assim tão controversa
 É que não mais se carrega
 Pureza no coração


 Nem o próprio sabedor
 Dessa amargura está livre
 Pois todo esse seu pudor
 Lhe traz a boca o gosto de gengibre


 Clarão do tempo a lhe incomodar
 Escuro conformado para lhe agradar
 As destonantes canções que saíram de seus lábios 
 E nunca puderam caminhar


 Onde outrora havia apenas esperança
 Agora havia também, o real sentido de cobrança


 Mas não se desespere
 Pois quando olhar para trás
 Há de ver a qual motivo tudo se deve


Eduardo Bueno

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