Cantava e dançava, o povo adorava
Chorava e sorria - que maestria
Hora era caboclo, hora era feiticeiro
Parecia imaginário o tal pirilampo seresteiro
Mas só ele sabia
Que no escuro ele sofria
Quando ninguém estava olhando
O pirilampo estava sempre chorando
Não era por dor física
Nem mesmo pela pobreza
Dentro daquele corpo
Havia muita tristeza
Quem via o pirilampo seresteiro
Achava que ele era sempre festeiro
Não sabia que por trás do esplendor
Ele sofria por amor
Fora em um dia de palestra
Que pirilampo se esgueirou pela fresta
E com sinceridade no olhar e no coração
Disse a sua amada com devoção:
Se me aceitares como par
Juro para sempre lhe amar.
Mas a coelha sua amada
Disse já estar amarrada:
Sinto muito pirilampo meu querido
Mas um outro homem já se ofereceu como marido.
Sentindo a dor lhe atravessar
Pirilampo não teve tempo de pensar
Ficou confuso, estonteado
Não sabia nem quem era, estava mesmo desnorteado
Mas seu amor era tão grande
Que nem mesmo lhe cabia
Sua consciência lhe disse assim:
"Ora, você já sabia!"
E com a tristeza a lhe sufocar
Ainda teve tempo de falar:
Eu nunca vou desistir de você!
O tempo passa e ele aprende
Nem de tudo a gente se arrepende
Hoje ele sabe
Que se ama precisa deixa-la ser feliz
Mas sempre que nisso ele pensa,
Lhe corre uma lágrima pelo nariz
Por isso pirilampo seresteiro
Decidiu por correr o mundo inteiro
Para compensar sua tristeza
Espalhando todo tipo de beleza
E quem sabe em meio a multidão
Esteja a amada, que lhe roubou o coração.
O Autor

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