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Me descubro a cada dia, me transformo a cada novo passo e a qualquer momento ao dobrar uma esquina. É impossível ser descrito de maneira estável. Conheça-me através das postagens e algo mais.

9 de dez. de 2011

Destitutus Affectu

 Era só o som do violão que o guiava naquele momento. Num mundo frio, de gente fria, paredes frias e rostos tristes, as cordas do violão o aqueciam. Emanava calor daquilo. Emanava vida. Emanava amor.
 Ao saber de seu triste destino, doboru-se sobre si mesmo e pôs-se a chorar, lamentar pelo que havia feito e pelo que deixara de fazer, lamentar pelo julgamento precoce e sem sentido que fizera.
 Quem é que podia afirmar o futuro? Esse fora seu grande erro. Se tivesse dado tempo ao tempo talvez tudo se acertaria. Mas a vida tem dessas coisas.
 Suas mãos deslocavam-se habilmente por sobre as pestanas, falando tudo aquilo que sua boca não podia dizer. Os graves significavam dor, e os agudos representavam o amor. Assim se compunha a melodia da melancolia.
 Soube ainda ontem que não poderia tê-la. Não era justo modificar a vida dela a seu bel prazer. Se assim estava, era apenas o efeito e não a causa. Por horas a fio desenrolou a linha do passado, tentando tecer uma solução definitiva.... sem sucesso. 
 Enquanto isso o som enchia o ar, e agora havia uma voz que se pronunciava, carregada de tristeza e solidão. Tentava agarrar com ela, tudo o que não mais pertencia a suas mãos.
 Ao fim de tudo pos-se a pensar no sentido daquilo. Do que fazia agora, do que fizera antes, do que faria depois. Qual o verdadeiro sentido de sua dor? De que valeu o seu amor? De que valeram as palavras escritas a caneta por sobre a folha branca, tão caprichadas e formosas, que traziam consigo o sentido de uma relação, o anúncio de um sentimento?
 Seu cérebro disse que estava com sede, levantou-se para ir a cozinha, e suas razões aninhadas sobre o colo, caíram todas ao chão.


                                                                                                        O Autor

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